terça-feira, 27 de março de 2012

Relato 7º Papacorrida

Largada com corrida na área urbana. Com 500 metros o meu companheiro de dupla já pediu para diminuir o ritmo. Seguimos mais lentos e pensei: logo seremos os últimos, mas isto não aconteceu. Corremos em ritmo de pernas curtas. Logo após o PC-1 a travessia do arroio sem dificuldades. Na trilha estávamos intercalando corrida com caminhada. Caminhando a subir pegava a mão do companheiro que seguia rebocado.

Minha intenção era de seguir o maior tempo possível próximo a outras equipes o que seria psicológicamente melhor, mas ao mesmo tempo era preciso respeitaros limites do meu pequeno companheiro. Nas trilhas do alto do morro avistamos várias duplas no caminho errado, sinal de que por algum tempo teríamos alguém por perto.

No Pc-2 realizamos uma rápida parada para a foto, ter tempo de folga é outro papo!! Logo depois nas pedras lisas seguia ajudando e orientando meu companheiro skatista que estava utilizando um tênis bom para skate, mas não para corrida de aventura. Não tivemos tempos de conseguir um tênis melhor, pois decidi participar da prova nos últimos dias. O maior problema os trechos mais técnicos. Mato, capim, buracos, subida não estavam alterando muito o nosso ritmo.

Chegamos na travessia do arroio com água gelada, apenas no inicio. Colocamos os coletes, óculos, planilha e também as luvas do meu companheiro na mochila. Meu companheiro já participou de competições de natação e a água não foi problema, mas o barro sim. Tênis ruim cheio de barro fica pior ainda. No arroio encontramos vários duplas e solo procurando o caminho correto. Mais um trecho de nado e a saída do arroio era em um barranco liso com lama. Alcancei a corda e subi até um ponto intermediário. Segurei a corda com a mão direita e com a esquerda peguei o braço do meu companheiro que foi içado para cima até onde estava. Tive que avisar, se segura na corda senão iremos ficar aqui, pois não posso largar a corda e nem te soltar. Ter um companheiro de dupla pequeno em algum momento pode ser vantagem.

Novamente na trilha e seguimos caminhando e correndo próximo a várias duplas. A trilha seguia contornando a lavoura até uma casa formando uma curva. Todas as duplas estavam seguindo o contorno e eu comecei a cortar caminho por lavoura. Meu companheiro de dupla queria seguir os demais e disse: aqui é mais perto. Ele disse: me espera! Repetiu me espera várias vezes durante a prova, algumas vezes escutei e em outras não!

Chegar no AT já foi uma vitória e com bike poderíamos descansar um pouco, principalmente ele, pois eu seguia, sempre que possível, empurrando para aumentar a velocidade. Deixamos algumas equipes para trás que estavam enroladas com as bikes no inicio da pedalada. Chegando à estrada de terra o meu pequeno companheiro me fez uma pergunta sincera com uma ingenuidade infantil, mas com uma capacidade de perspectiva muito boa:

De bicicleta não vai ter aventura?

De bicicleta ele estava acostumado a andar, então não tinha muita novidade. O que é aventurar-se? É justamente enfrentar o desconhecido. Se ele estava querendo mais é porque estava gostando. A pergunta me surpreendeu e os meus pensamentos voaram. Tive dificuldade para responder sem saber exatamente o que seria aventura de bicicleta para ele.

Chegamos em mais um AT, os próximos 250 metros de subida nas pedras do arroio. Segunda pisada nas pedras e meu companheiro escorrega, os pés saem do chão e as nádegas foram os amortecedores do impacto. Estes 250 metros foram os mais lentos da prova. Subíamos pedra por pedra e eu ensinava: pisa aqui com o pé encostado na outra pedra.. Depois do PC na cascata a subida nas pedras continuava e eu seguia ajudando: usa as mãos.. As luvas ainda guardadas na minha mochila estavam fazendo falta. Depois de localizado o PC virtual descemos a encosta escorregadia. Mais ajuda: segura com a mão direita neste galho, com a direita no seguinte, gira da um passo e segura firme no próximo, se deixar escapar... Outras duplas estavam logo atrás, mas apenas uma nos ultrapassou neste curto e lento percurso.

No percurso difícil o nosso companheirismo ficou ainda maior com uma relação de mais do que amizade, uma relação paternal de confiança e respeito. Eu dava as dicas, mas as regras eram da natureza e a lei da gravidade. O julgamento e sentença imediatos: errou= caiu.

Não vou descrever cada trecho do percurso. Quando não estávamos subindo estávamos descendo. Veja a altimetria:

Na descida das caixas d água foi o ponto mais difícil. O meu companheiro sem usar luvas, escorregou e por instinto se segurou em um galho cheio de espinhos. Serviu como mais um aprendizado. Erramos o percurso apenas duas vezes e em uma destas o Miguel e a Sandra estavam conosco, mas logo corrigimos os erros e retornamos ao percurso correto.

Paramos muito pouco e as paradas foram rápidas.

Tivemos aventura com bicicleta.

Nas subidas mais difíceis usamos as seguintes opções:

1- Os dois pedalando;

2- Eu empurrando e ao mesmo tempo pedalando a minha bike;

3- Eu caminhando rápido e levando as duas bikes;

4- Eu correndo com a minha bike na mão esquerda e com a mão/braço direito empurrando o companheiro que seguia pedalando.

A descer em algumas vezes foi mais seguro desembarcar da bike. Em algum ponto do ultimo percurso de bike o meu companheiro ficou com medo e percebi que ele precisa aprender mais técnicas. Neste caso desci com a minha bike, retornei correndo e desci andando com a bike dele, foi bem divertido. Quando passamos por um dos últimos PCs as duas moças comentaram: Olha o menininho ainda esta na prova e parece bem! Foi bom escutar isto, pois sabia que algumas duplas haviam abandonado a prova e também foi importante ter mais uma opinião sobre as condições do meu companheiro.

O final da prova estava próximo e o meu companheiro perguntava: quantas folhas faltam?

Respondia: muitas, mas as ultimas estão em branco!

No ultimo percurso de bike, a dupla que estava logo a nossa frente, seguiu na estrada da direita quando a correta era na da esquerda. Meu companheiro perguntou: não é por lá. Respondi que não. Ele pergunta: tem certeza? Sim e estamos ganhando uma posição na prova.

No ultimo trecho de corrida ultrapassamos caminhando uma dupla. Três coisas estavam confirmadas: não seriamos os últimos, não estávamos mal e não reduzimos o ritmo no final. Não andávamos rápido, mas na nossa situação o andamento estava correto. A caminhada rápida na subida forte é quase tão veloz quanto pedalar e de certa forma o percurso difícil favoreceu a nossa dupla lenta e constante.

Quase na chegada o meu amigo, que já estava especialista em fazer bastão de caminhada com galhos de arvores estava caminhando com um cabo de enxada. Acho que quanto mais eu quero ensinar, mas aprendo com ele. Não sei onde encontrou isto.

Disse: logo depois do posto é a chegada.

Ele respondeu: a partir da esquina vamos correndo.

Foi mais uma pequena conquista, o guri entendeu bem o espírito de paciência, persistência e competição, apesar de tudo não passar de uma longa brincadeira. Nossa posição na prova não era importante, ficamos na décima posição entre às dezesseis duplas da categoria. Um bom resultado para um menino de quase onze anos de idade.

Foi a primeira vez que corremos juntos e nos conhecemos melhor. A cada dificuldade eu podia saber como estava o psicológico do meu filho e em nenhum momento esteve abalado.

Parabéns a organização da sétima Papacorrida, aos voluntários, apoiadores e aos participantes. Quem sabe para a próxima a gente treine!


Luiz M. Faccin- Dupla Família Faccin com Giuseppe Faccin

Março 2012.

Mais informações no site: www.papaventuras.com.br

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Trekking Linha Travessa com Cascatas

Caminhada em Linha Travessa dia 11 de dezembro de 2011

Veja as fotos:


Luiz M. Faccin

Distancia total= 20500 metros

Boas caminhadas e aventuras em 2012!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Chegando em Rio Pardinho

Chegando em Rio Pardinho no retorno de Nove Colônias.
Com direito a comemoração e toque de sinos
Caminhada treino para brevet Audax Caminhada 75 km

Suspiro em Nove Colônias

Chegada em Nove Colônias com direito a suspiro

Subindo Nove Colônias- segunda parte

Segunda parte da subidinha para Nove Colônias

Subindo Nove Colônias

Caminhada Treino para Audax 75 km

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Relato da Caminhada Sonhada!

Relato de uma caminhada que não existiu!

Caminhada sonhada 07 de agosto de 2011.
Estava no campus UNISC ás 8h
Iniciei a caminhada sozinho. Caminhar era leve e rápido e os meus pés não encostavam no chão. Fui pela Avenida Independência em um segundo cheguei na Carlos Trein, depois segui na Julio de Castilhos, a pista de Skate estava vazia, caminhei na Mal Deodoro, Imigrantes Alberto Pasqualini, no campo de futebol fui a direita, passei em frente a casa do Ricardo e Tina, mas eles deviam estar dormindo. No final da rua segui a esquerda e logo avistei a casa de retiro Loyola, segui a direita na subida e depois no asfalto. A subida é forte, mas como os pés não estavam no chão também não precisava fazer força e subia leve.
Logo após a entrada da Sede do Clube União segui a direita e novamente a direita, no final da rua a direita e depois a esquerda. Segui e sai no Acesso Grasel. Passeio pelo Pórtico, boneco do Fritz e Da Frida, cruzei o asfalto e não vinha veiculo algum, mas eu nem precisei olhar para os lados. Não tinha ninguém na rua e eu só escutava o barulho da água e dos pássaros.
Cruzei pela entrada do aeroporto e logo já estava na entrada da Linha Travessa. Tentei olhar para o relógio, mas não estava com ele e mesmo assim vi que era quase 11horas.
Estrada de chão e comecei a escutar o barulho dos meus passos, mas não sentia os pés no chão e nem os tênis.
Cheguei na ponte e o barulho do riacho estava forte. Cruzei a porteira da casa do agricultor e os cachorros não estavam lá, não vi ninguém e segui em direção ao riacho para chegar à cascata. Senti o cheiro de esterco, o barulho da água e avistei o arroio. Via a água, mas não vi meus pés. Ao pisar em uma pedra escorreguei, senti o gelado nos pés e me virei na cama. Acordei! Eram 11 horas
La fora tinha sol, antes das 8 chovia.
Agora só restava ler o Alexis de Tocqueville ( na realidade as palavras de Gustave deBeaumont sobre ele):
Na viagem de Alexis de Tocqueville, o que há de mais interessante é menos a viagem em si mesma do que a maneira de viajar. Ela era particular. Não poderíamos imaginar a atividade de espírito e de corpo que, como uma febre ardente, devorava-o sem trégua.”
“esses diversos modos de viajar são igualmente honestos e legítimos, e, não é para criticar aqueles que tomam as viagens como um exercício de corpo ou um agradável passatempo, mas apenas para mostrar que Alexis entendi-as de outra forma. Para estudar suas instituições e penetrar, por assim dizer, a alma de seu povo..”
“Nunca, de resto, em qualquer circunstâncias de sua vida, Alexis de Tocqueville deixou-se levar mais pela corrente de suas impressões do que pelo encanto irresistível dessas grandes solidões da América, onde tudo se reúne para inebriar os sentidos e adormece os pensamento”


Agora já dei o calote da rapadura e o da caminhada!.

Luiz Maganini Faccin